quinta-feira, 28 de março de 2013

Psicologia e Arte

O Blogue CiberVisualArtes será o suporte onde pretendo desenvolver os meus trabalhos para a disciplina "Cultura Visual",do Mestrado em Educação Artística, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

A iniciativa de criar este blogue prende-se com um dos objectivos propostos pelo Docente João Paulo Queiroz:
                         " - Exercitar o espírito crítico na presença de manifestações culturais."

Para o início deste trabalho foi essencial assistir ao IV Congresso Internacional CSO'2013, que decorreu entre 21 e 28 de Março de 2013, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.


A temática desenvolvida prendeu-se com "O olhar dos autores/artistas sobre as obras de outros autores".

Ao assistir no último dia à apresentação de Marlice Corona (que podemos encontrar em ":Estúdio 7"), surgiu a ideia que me levaria a desenvolver este trabalho. A procura do que está por detrás do objecto artístico captou-me de imediato a atenção.

A importância da mente na criação do objecto artístico.

O que se esconde no subconsciente do criador e aquilo que se pode revelar durante o processo criativo.

A relevância dos documentos de trabalho no processo de criação do artista .

Há cerca de 10 anos assisti a um documentário sobre os estúdios de Francis Bacon numa aula muito especial de Pintura, na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa. Esse momento encaminhou-me para um profundo interesse pela obra de Bacon, à qual era anteriormente alheia. Sobre os documentos de trabalho de Francis Bacon, ver Post "Campo de Pesquisa em Arte".

Transport-école

O trabalho apresentado por Flávio Rodrigues com técnica de colagem e com aplicação do papel vegetal, sugere diversas formas através da transparência.

"Transport-école" - Desenho instalação com técnica de colagem (2003-2006)

Esta instalação tem uma disposição de peças Autorama (*) e de materiais diversos, ocupam uma dimensão na parede de 200x350cm        (nova montagem em 2012)

A instalação "Transport-école" convoca os nossos sentidos, não se limita à observação, pode estabelecer uma relação do nosso corpo com o espaço envolvente.Cada sujeito é levado a interpretar de acordo com as suas vivências, sendo "transportado" para onde a sua imaginação o levar, através deste objecto. Torna-se assim num objecto "transporte".

A relação que se estabelece com o espaço e a memória pode transportar o sujeito para experiências vividas. De acordo com Marilice Corona, o autor evoca uma relação entre a infância e o objecto de significação que tanto se pode transformar em linhas rectas e curvas, como em rectângulos. A lista de relações que se podem estabelecer neste jogo podem ser múltiplas dependendo do olhar do sujeito.

O artista coloca algumas peças de brincadeiras, as peças de pistas de carrinhos que permitem estabelecer elos com a infância e com o ludismo. O período em que a criança brinca com diversos objectos que estão espalhados à sua volta pelo chão. São oportunidades que permitem à criança conhecer os objectos através  do tacto, do olfacto, do olhar, do som e do sabor.

Do ponto de vista da educação artística, os sentidos permitem aproximar a criança do objecto de arte, de o conhecer para o melhor compreender. Considero que esta obra permite várias abordagens no campo da educação artística, seria interessante explorar com o público infantil este objecto, do ponto de vista das suas características (macio/rijo, claro/escuro, nítido/baço, etc). A curiosidade da criança e por ser espontânea  leva-nos a percorrer percursos que talvez não ousássemos.

Esta aproximação da infância à obra de Flávio Rodrigues apela também à postura do corpo face ao mundo que o rodeia. Não é a toa que o limite quadrado do suporte é rompido pelas pistas de carros espalhadas pela parede. Esta intenção do artista que leva o espectador a seguir um percurso. Os objectos deixam de estar no chão (ponto de partida) onde costumam estar as pistas, os tubos de canalização e sobem para a parede. Saem do chão, tal como a criança quando deixa de gatinhar e se consegue erguer para pôr de pé. A visão que temos do chão à medida que crescemos passa a ter um aspecto topológico, tal como nos sugere a obra que observamos de longe na parede.

Outra intenção do artista é deslocarmos o olhar  pela parede até a nossa "visão se tornar mais baça pela imposição do papel vegetal". A percepção muda quando olhamos através do papel vegetal, podemos imaginar por exemplo a planta dum quadro de luz, mas isso depende da significação que cada um dá à obra.
"Feito neblina o suposto suporte pula para a frente e a pista muda de tom. A sobreposição de transparências reais impossibilita a nitidez da imagem, criando espessuras e um vago mistério." (Corona, 2013: 243)


(*) Autorama são peças de brinquedo para crianças, conhecidas em Portugal como pistas de carros (reciclagem de materiais).

Em "Estúdio 7":
"É do território da infância que Flávio Gonçalves retira a energia propulsora do seu trabalho e cria suas estratégias para falar sobre desenho. O estudo de seus documentos revela como se dá o início de um jogo cuja meta é discutir os mistérios do desenho de criação no qual, todos nós, nos vemos envolvidos (Corona, 2013:245).



Campo de pesquisa em Arte

O campo de pesquisa em arte pode levar-nos à origem da obra de arte. Essa origem pode ser um processo inconsciente do artista.

"O artista é, via de regra, familiarizado com o pensamento poético e com os processos de criação." (Gonçalves, 2009: 140)- Revista Porto Arte: Porto Alegre, V.16, Nº 27, Novembro/2009.

Francis Bacon, no seu 1º estúdio, trabalhava no meio do aparente caos de fotografias, recortes de jornais,

(falta desenvolver nesta parte sobre o estúdio de Bacon, os materiais que lá se encontravam, testemunham aquilo que interessava para - conceptualização do objecto artístico).

Por ocasião do centenário do nascimento de Francis Bacon a Dublin City Gallery exibiu a
Exposição "The Hugh Lane" em 2009/2010 (28 Outubro de 2009 a 7 Março de 2010) sobre ..... Bacon.


"I feel at home here in this chaos because chaos suggests images to me."

No vídeo,  Joanna Shephard, responsável pela conservação da Dublin City Gallery da exposição "The Hugh Lane", onde refere que catalogaram a documentação existente no atelier de Francis Bacon em cerca de 40 dias.

Podemos ainda ver os testemunhos Barbara Dawson  (Co-curadora de Francis Bacon a Terrible Beauty) e de Martin Harrison (editor do Francis Bacon Catalogue Raisonné e Co-curador da exposição Francis Bacon a Terrible Beauty)